| !"A
presente proposta foi aprovada
por votação maioritária
dos membros Newropeans no conjunto
do território da União
Europeia, tendo obtido 86% dos
votos."
Decorre do objectivo central
acarinhado por Newropeans, isto
é: democratizar a U.E.
e, desde logo, dar a palavra aos
cidadãos europeus sobre
assuntos cruciais, tais como este,
que a envolvem na sua plenitude.
Esta moção assenta
nos objectivos de paz e prosperidade
colectiva, que estão no
cerne do projecto europeu há
mais de 50 anos, assim como na
preocupação de preservar
os comuns e vitais interesses
europeus (paz, segurança
política e económica,
em particular).
Newropeans entende que a actual
crise Irão-EUA deve ser
tratada como um momento charneira
da actual crise geral do sistema
internacional, nomeadamente face
à obsoleta política
de não proliferação
nuclear praticada desde 1945.
Marca o fim da ordem estabelecida
após 1945. Para Newropeans,
a crise actual é um confronto
directo entre duas lógicas
de ora em diante arcaicas: por
um lado, a dos líderes
iranianos que ignoram o interesse
colectivo mundial, focalizando-se
sobre os seus interesses nacionais
a curto prazo e, por outro, a
dos líderes dos Estados
Unidos que identificam os seus
próprios interesses aos
do resto do mundo. A política
de não proliferação
nuclear herdada do pós
IIª Guerra mundial atravessa
uma crise, fenómeno sobejamente
ilustrado, veja-se: o número
crescente de potências nucleares
(cf. quadro
das potências nucleares
em 2005, fonte: National Defense
University - EUA) que não
firmaram o TNP – Tratado
de Não Proliferação;
a actual crise com o Irão,
contudo signatário do Tratado;
o desenvolvimento sustentado de
novos tipos de armamento nuclear
como as «mini bombas»,
nomeadamente pelos Estados Unidos;
o papel do Paquistão em
matéria de não proliferação
activa sem ser alvo de sanções;
e o recente acordo EUA/Índia
que ignora completamente o TNP.
Perante este contexto, a crise
Irão/EUA não pode
ser tratada como um caso particular.
A sua gestão deve inserir-se
numa visão a longo prazo,
alicerçando-se em novas
metodologias adaptadas às
realidades do séc. XXI.
Tendo em conta o seu passado
trágico, prova do impasse
a que ambas essas lógicas
conduziram, e tendo em conta o
sucesso da sua construção
política pacífica
à escala continental nas
últimas décadas,
a União Europeia deve passar
a assumir um papel de liderança
na construção do
sistema internacional do séc.
XXI. Tal requer a implementação
de uma abordagem exemplar no sentido
de satisfazer simultaneamente
o interesse comum europeu e o
interesse colectivo mundial. A
U.E. só poderá contribuir
eficazmente para a promoção
da paz mundial, da democratização
global e da prosperidade colectiva
se der o exemplo, mostrando que
uma política desse cariz
é possível, e desde
que sejam salvaguardados os interesses
europeus vitais. Tornou-se mais
do que premente fazer com que
os Europeus passem à acção
e coloquem sobre a mesa novos
objectivos e instrumentos em vez
de tentar desenvolver novos métodos
ao serviço de objectivos
obsoletos.
Assim sendo, Newropeans apela
aos dirigentes da U.E. para que
assumam as suas responsabilidades
e reflictam nas suas declarações
e acções as expectativas
da vasta maioria dos cidadãos
europeus, assim como as esperanças
colocadas nos Europeus pelo conjunto
da população do
planeta (cf. sondagem
BBC – GlobeScan). Esta
acção europeia deve
desenvolver-se em torno de 3 eixos:
1.
A U.E. insta a comunidade internacional
a controlar com maior eficiência
o risco nuclear no mundo, lançando
a reforma do Tratado de Não
Proliferação nuclear.
2. Cabe à U.E. reforçar
o seu papel motor na resolução
da crise iraniana, determinando
uma série de objectivos
precisos e falando em uníssono,
sem ser em nome da Alemanha, da
França ou da Inglaterra.
3. A U.E. deve estabelecer as
alianças necessárias
para chegar a uma verdadeira estratégia
internacional destinada a congregar
todos os actores internacionais
que partilham semelhantes objectivos
e visão.
- A U.E. insta a comunidade
internacional a controlar com
maior eficiência o risco
nuclear no mundo, lançando
a reforma do tratado de não
proliferação nuclear
A
U.E. deve colocara quanto antes
em cima da mesa internacional
uma proposta conducente à
reforma profunda do Tratado
de Não Proliferação
Nuclear (TNP) e do conjunto
de métodos e instrumentos
que integra. Tem de ser adaptado
à realidade do séc.
XXI. Os avanços científicos
e a redução dos
custos fazem com que a tecnologia
esteja cada vez mais acessível.
Daí decorre a dificuldade
de distinguir instrumentos e
fileiras entre nuclear civil
e nuclear militar (como vem
comprovar o risco inerente às
«bombas sujas»).
Isso implica que se possam hoje
contar uma quarentena de potências
nucleares assumidas ou encapotadas
e quase nuclearizadas, podendo
dispor da arma nuclear muito
em breve (contra 5 quando da
assinatura do TNP). Além
disso, se o TNP surgiu num mundo
em que a dissuasão nuclear
podia até certo ponto
contribuir para garantir a paz
(Guerra Fria), hoje em dia a
maior preocupação
prende-se com a posse da arma
nuclear por organizações
infra-estatais (terrorismo nuclear).
O novo TNP também se
deve inspirar das evoluções
ocorridas na ordem internacional
desde os anos de 1960. Por isso
e desde já, a EU pode
nessa matéria indicar
três linhas de reflexão
prometedoras:
-
tratar o desenvolvimento do
nuclear para fins civis e militar
na sua globalidade. O acesso
ao «Clube Nuclear»
já não deve visar
impedir o desenvolvimento do
nuclear para fins militares,
concedendo-se a autorização
de desenvolver o nuclear civil,
mas sim convencer da inutilidade
do desenvolvimento do nuclear
militar ou, caso contrário,
de o cercear por forma a integra-lo
num equilíbrio de dissuasão
regional ou global.
-
definir as regras de acesso
ao «Clube Nuclear»,
não em função
de uma abordagem arbitrária
das potências que dele
já sejam membros, mas
num processo transparente de
adesão, com base em regras
claras e internacionalmente
reconhecidas, e num controlo
multilateral do respectivo cumprimento
a partir do momento em que se
acede ao estatuto de membro
do clube. Os exemplos do processo
de adesão à União
Europeia ou à Organização
Mundial do Comércio podem
utilmente servir de inspiração
para definir um «acervo
político-nuclear»
que determine as condições
de acesso ao nuclear no seu
conjunto. Entre outras convém
incluir: a necessidade de evoluções
políticas internas democráticas
- eleições livres,
controlo político dos
militares -, a celebração
de acordos regionais de segurança
ligados se possível a
acordos de cooperação
económicos e comerciais
regionais.
-
rever algumas hipóteses
fundamentais do TNP, que a História
fez caducar. Há que integrar
a nova dimensão da posse
de armas nucleares por entidades
não-estatais para banir
essa possibilidade e impor sanções
mais estritas. Paralelamente,
há que arredar a hipótese
segundo a qual a arma nuclear,
em si e em qualquer situação,
é destabilizadora. Com
efeito, a história europeia
da 2ª metade do séc.
XX mostrou que essa afirmação
era falsa. A dissuasão
equilibrada pode também
contribuir para a paz quando
é impossível obter
a criação de zonas
não nuclearizadas (mantendo-se
no topo dos objectivos de qualquer
política de controlo
do risco nuclear).
- Cabe à U.E. reforçar
o seu papel motor na resolução
da crise iraniana, determinando
uma série de objectivos
precisos e falando em uníssono,
sem ser em nome da Alemanha,
da França ou da Inglaterra.
No
caso do Irão, e em função
das orientações
de reforme geral da não
proliferação nuclear,
a EU tem 3 objectivos:
- reforçar a paz e a
prosperidade da região
- reforçar a paz e a
prosperidade mundial
- apoiar a democratização
política da região.
A solução ideal
passaria pela desnuclearização
geral do Médio Oriente.
Porém ilusória
no horizonte mais próximo
vista a recusa de abdicar do
seu armamento nuclear respectivo
por parte de potências
como Israel e o Paquistão
(potências não
signatárias do TNP) ou
de deixar de intervir na região
ou nas suas fronteiras directas
como os Estados Unidos e a Rússia.
Sendo impossível eliminar
as armas nucleares da região,
torna-se tanto mais imperioso
garantir aos países sem
nuclear que nada têm a
recear. Esse objectivo apenas
pode ser alcançado de
duas maneiras: uma série
de garantias globais ao abrigo
das quais qualquer utilizador
de armas nucleares fique sujeito
a sanções internacionais
imediatas, colectivas e militares;
e a abertura de um processo
político permitindo a
aquisição da arma
nuclear num quadro muito preciso
de um TNP renovado. Qualquer
tentativa de prosseguir na via
nuclear (civil ou militar) sem
entrar no processo do TNP renovado
deverá ser, de imediato,
sancionado pela comunidade internacional.
Essa abordagem será muito
mais simples que no actual quadro
porque não deixará
margem para dúvidas:
com a aceitação
do TNP renovado, haverá
um acesso controlado a todas
as tecnologias associadas ao
nuclear; sem a aceitação
do TNP renovado, haverá
um embargo tecnológico
total.
Significa que, no prazo de um
mês, o Irão terá
de se pronunciar ou a favor
ou contra a proposta europeia
de aceitar um TNP renovado segundo
os eixos acima expostos. Para
além disso, essa aceitação
implica, por um lado, que o
Irão interrompa todas
as suas operações
nucleares (inclusive autorizadas
ao abrigo do TNP em vigor),
e, por outro, que seja lançada
uma conferência internacional
com vista à renovação
do TNP, cuja duração
seria no máximo dois
anos, por iniciativa europeia.
Em função dos
objectivos indicados, esse Tratado
entraria em vigor quando assinado
por mais de metade dos Estados
do planeta.
Se o Irão recusa essa
opção, caberá
então aos Europeus recomendar
um embargo completo sobre o
país, inclusive relativamente
ao seu petróleo. Esse
tipo de sanções
será igualmente aplicado
automaticamente a qualquer Estado
que contribua para disseminar
a tecnologia nuclear junto de
actores não estatais.
- A U.E. deve estabelecer as
alianças necessárias
para chegar a uma verdadeira
estratégia internacional
destinada a congregar todos
os actores internacionais que
partilham semelhantes objectivos
e visão.
O
objectivo diplomático da
U.E. deve portanto definir internamente
e a breve trecho as grandes linhas
da sua proposta de TNP renovado,
e procurar parceiros estratégicos
para fomentar o processo internacional
em prol da renovação
do TNP e da sua aprovação
por uma maioria de países.
Nessa matéria, a U.E. deverá
agir tal como no quadro de Quioto.
Tentar convencer rapidamente os
parceiros, sem perder tempo com
os Estados que não estão
interessados ou que se opõem
a uma reforma do TNP no sentido
desejado pelos Europeus. Se a
China, a Índia ou a Rússia
são favoráveis,
e os EUA avessos, pois que assim
seja. Aquilo que aqui está
em jogo, é o futuro do
mundo, não o seu passado!
Uma conferência internacional
sobre esse tema poderia ser convocada
para Berlim em finais de Abril.
E, estar disponível uma
proposta de documento de trabalho
internacional em Maio.
Newropeans considera que a actual
estratégia ocidental comporta
o risco maior de originar um dos
3 cenários futuros seguintes,
contraditórios em relação
aos objectivos pretendidos de
paz e estabilidade:
- Nem o Irão, nem os
Estados Unidos cedem, e a União
Europeia por fraqueza segue
os Estados Unidos num confronto
militar com o Irão. Esta
situação arrasta
imediatamente um conflito com
repercussões catastróficas
à escala mundial com
uma destabilização
definitiva do Médio Oriente
já conturbado pela invasão
do Iraque.
-
O Irão
acaba por ser obrigado a ceder
por meios não militares
mas constrangedores (embargos
ou outros). Nesse caso (assaz
improvável, pois ninguém
dispõe até agora
da mínima opção
credível a esse respeito),
tal como no primeiro caso,
um Irão não
nuclear e humilhado pode desencadear
retaliações
de todo o tipo na região
e no resto do mundo. Paralelamente,
no contexto explosivo que
a invasão do Iraque
gerou nos mundos árabe
e muçulmano, poderia
dar-se um reacender de violências
contra o Ocidente.
- Por fraqueza a União
Europeia aceita o facto consumado
iraniano, sem apresentar um
plano alternativo a longo prazo
como aquele da lavra de Newropeans,
admitindo mesmo o enriquecimento
do urânio relativamente
ao Irão, sabendo-se perfeitamente
não existir qualquer
meio fiável de limitar
a utilização destas
técnicas ao seu uso civil
exclusivo. Daí resultando
provavelmente um Irão
nuclear ; convicta de que apenas
as lógicas da força
e do confronto contam doravante,
e dando um exemplo catastrófico
quanto à esperança
de organizar a sociedade internacional
do séc. XXI na base do
Estado de direito e não
da lei da selva.
Newropeans
entende que o mais grave nem se
prende, em si, com um Irão
nuclearizado, mas que tudo dependerá
do processo de enquadramento internacional
em função do qual
essa situação poderá
emergir, sendo que existem vários
cenários que apontam para
o pior, como seja o desaparecimento
de uma ordem internacional assente
no direito, cedendo à tentação
de retroceder à lei da
selva e da força bruta.
Cabe aos Europeus mostrar que
podem abrir a via para um outro
futuro do mundo e que essa opção
seria desastrosa. Pelo que Newropeans
considera que a presente crise
Irão/EUA constitui uma
porta através da qual o
futuro mundial poderá aceder
à prosperidade partilhada,
senão o conceito de democracia
não passaria de uma fita.
Newropeans alerta ainda para a
necessidade do maior número
estar atento e não ceder
aos apelos à violência,
seja ela oriunda do Estado ou
de grupos terroristas.
Trad. Fr>Pt:
Patricia ROMAN-mars06

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