| Acusando
recepção do V. convite
para nos juntarmos ao colectivo
das organizações
que pretendem lançar o
projecto «Iniciativa Cidadã
Europeia», assim designado,
lamentamos informar que o nosso
movimento não entende participar
no referido projecto. Com efeito,
no nosso entender, opõe-se
diametralmente à lógica
de democratização
da União Europeia, estando
esta lógica no cerne da
acção do Newropeans.
Por um lado,
quanto princípio, a finalidade
do projecto, pese embora as suas
aparências, não confere
maiores poderes aos cidadãos
europeus, reforça sim o
poder burocrático da Comissão
Europeia. O «direito de
petição» para
o qual esse projecto procura o
apoio de um milhão cidadãos
europeus não é de
modo algum um «direito democrático»
e, caso fosse aplicado, outorgaria
à Comissão Europeia
o direito absoluto e arbitrário
de dar seguimento, ou não,
às petições
subscritas por um milhão
de cidadãos europeus.
Para o Newropeans,
democratizar a União Europeia,
dar capacidade de iniciativa aos
cidadãos, não é
reforçar o poder dos burocratas.
Bem pelo contrário, significa
reforçar o poder dos cidadãos
e daqueles que estes elegem, nomeadamente
para os representar no Parlamento
Europeu.
Por outro, numa
perspectiva prática, coloca-se
a questão da indefinição
das condições inerentes
à validação
da recolha de assinaturas à
escala da UE, para nem falar na
total incapacidade jurídica
e política em transformar
uma abaixo-assinado, qualquer
que seja, em actos concretos a
nível da UE. Pelo que essa
operação se arrisca
a dar azo a um enorme desperdício
de energia, boas vontades e motivação
por parte dos cidadãos.
Em suma, Newropeans está
plenamente convicto que, mesmo
sendo angariado um grande número
de assinaturas, essa iniciativa
não teria qualquer efeito
concreto, tanto menos que dependeria
sempre de um Tratado comunitário,
firmado e ratificado por unanimidade,
para passar a constar do acervo
europeu. Aliás, salientaram
e bem tal impotência das
instituições quanto
à matéria.
Para Newropeans,
é essencial evitar que
os cidadãos sejam arrastados
para múltiplas direcções
que a nada levam, a não
ser à frustração
daqueles que investem tempo e
energia.
Por conseguinte,
poderão perceber que além
de não se associar ao referido
projecto, na sua qualidade de
primeiro movimento político
transeuropeu, Newropeans alerta
os cidadãos em relação
a essa V. operação.
Tanto mais que se tivesse êxito,
iria sim reforçar os poderes
da Comissão de Bruxelas
em detrimento do Parlamento Europeu
ou do Conselho Europeu.
Aliás,
de futuro, Newropeans pronunciar-se-á
sistematicamente sobre os projectos
europeus relativas a cidadania,
no sentido de indicar se são,
ou não, compatíveis
com o processo de democratização
da UE almejado pelo Newropeans.
Para todos aqueles
e aquelas que desejam contribuir
para um casamento profícuo
entre o projecto europeu e a democracia,
Newropeans optou pela via mais
complicada, mas necessária.
Daí a criação
deste nosso primeiro movimento
político transeuropeu que
apresentará a sua própria
lista de candidatos às
eleições europeias
de Junho de 2009, em todos os
países da UE.
Assim, em termos
de iniciativa, Newropeans pretende
pôr cobro ao monopólio
de iniciativa detido pela Comissão
Europeia e conferir ao Parlamento
Europeu um poder de iniciativa
completo (proposta
5).
Em termos de
democracia directa, Newropeans
apoia a realização
de um referendo transeuropeu relativamente
a qualquer novo alargamento e
aos tratados europeus (proposta
3).
Em termos de
direito de petição,
Newropeans está, neste
momento, a elaborar uma proposta
que constará do seu programa
para 2009, fazendo com que o Parlamento
Europeu seja o destinatário
das petições, sem
a interferência dos burocratas
nessa tramitação.
O grande ponto
de encontro da União Europeia
com os povos, com os seus cidadãos
e a democracia ocorrerá
em Junho de 2009, quando das próximas
eleições europeias.
Aqui fica um apelo a todos aqueles
e aquelas que queiram verdadeiramente
alterar e democratizar o sistema
comunitário; essa será
uma data crucial. Desde já,
está marcado o encontro
político com os nossos
500 milhões de concidadãos.
Convidam-se os
cidadãos, quer sejam membros
de outras organizações
quer não, que não
querem falhar esse ensejo histórico
a juntar-se ao Newropeans quanto
antes, em vez de perderem tempo
com projectos que só levam
a becos sem saída, veja-se
o desfecho do projecto escrutinado
em Maio-Junho de 2005.
Compete-nos preparar
um programa completo bem como
uma campanha à escala do
continente, e, para tal, temos
um prazo inequívoco: Junho
de 2009. Por outras palavras,
toda e qualquer energia é
muito bem vinda.
Convém
que todos estejam bem conscientes
que, se no areópago eleitoral
de Junho de 2009, não houver
um movimento político transeuropeu
forte, capaz de demonstrar que
a democracia e a Europa são
compatíveis, então
corremos o risco de dar a vitória
aos extremismos e nacionalismos.
Para o Newropeans,
não há nem tempo
nem energia a perder, nem nos
podemos dar ao luxo de andar a
«mendigar a democracia».
Há que tomar o poder. Se
é isso que os cidadãos
europeus querem, então
cabe-lhes descer para a arena
eleitoral em Junho de 2009. Porque
o resto, não passa de mera
ilusão e perca de tempo,
ou, no limite, de trapaça.
Estimadas saudações,
Em nome do Comité
Director do Newropeans
Franck
Biancheri
Presidente
Newropeans
trad. Fr>Pt : Patricia Roman
- ABR06

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