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MANIFESTO DO NEWROPEANS


De ora em diante, os Europeus partilham uma comunidade de destino, pelo que os cidadãos e os povos devem estar no coração do projecto político europeu

As reacções convergentes dos povos europeus na sua recusa em apoiar a guerra preventiva contra o Iraque e a desconfiança crescente perante o Tratado Constitucional europeu, revelaram ainda recentemente que os Europeus não só partilham de uma comunidade de destino como começam a confiar mais em si do que nos seus próprios líderes. Os dirigentes políticos europeus não souberam modernizar a União Europeia, que hoje deixou de corresponder às expectativas dos cidadãos, quer em termos da participação democrática quer quanto aos resultados da sua política.


A crise política actual que a União Europeia atravessa, é o reflexo dessa crescente desadequação entre as expectativas dos cidadãos e a capacidade de resposta por parte das elites. Essa situação decorre de uma evolução histórica bastante simples: o projecto europeu deve passar da fase da construção para a fase da governação europeia. Tendo em conta o grande alargamento de 2004 e o fim da guerra na ex-Jugoslávia, o projecto europeu chegou ao termo da sua fase de construção, iniciada há já 50 anos, e cujos objectivos visavam garantir a paz e a prosperidade do continente, estabelecendo a democracia nos diferentes Estados europeus, e, ao mesmo tempo, unificá-los num espaço comum.
Daqui para a frente, começa a fase da refundação em que o desafio no cerne do projecto europeu passa a ser governar democraticamente uma entidade política com 500 milhões de pessoas de cerca de 30 nacionalidades, culturas e línguas distintas.

 

«Refundar o projecto político europeu»


Esta transição histórica relativa às duas próximas décadas só pode ocorrer a partir do momento em que os Europeus assumirem as rédeas do seu destino comum e souberem inventar conjuntamente a Europa de amanhã.

As competências, os métodos, os instrumentos, os actores necessários à pilotagem da União Europeia das décadas vindouras nada têm a ver com aqueles que contribuíram para a sua construção. Devem, sim, ser inventados tal como aconteceu na década do pós-guerra quando os «pais fundadores» da UE - Schuman, de Gasperi, Adenauer e Monnet – inventaram novas instituições, novos métodos e novas estratégias para evitar que a guerra voltasse a destruir a Europa

Para o Newropeans, assim como para as gerações que nasceram depois da assinatura do Tratado de Roma, o desafio que se lhes* *nos coloca consiste em inventar um método que permita aos 500 milhões de cidadãos da UE serem os principais decisores das grandes orientações da União Europeia, quer no tocante à sua política interna, quer quanto aos seus limites e às suas relações com o resto do mundo. Só será possível alcançar isso graças a uma «refundação» completa da UE.

Uma União Europeia «democratizada» não significa o somatório da EU, tal como a conhecemos nos moldes actuais, mais democracia. Trata-se, sim, de uma União Europeia radicalmente transformada em termos de instituições, de respectivos modos de funcionamento e actores políticos, no intuito de colocar os cidadãos e os povos no centro do sistema comunitário. Onde, hoje em dia, no têm lugar nenhum.



Newropeans é o primeiro movimento político transeuropeu… porque a UE é um assunto demasiado sério para ser deixado nas mãos de partidos nacionais e dos burocratas

Para o Newropeans, a primeira etapa para alcançar a referida «democratização» da União europeia depende da criação de um grande movimento político de cariz transeuropeu.

Caso inédito na história da Europa, o Newropeans irá apresentar a mesma visão de futuro colectivo em todos os países da União Europeia nas próximas eleições europeias de 2009. Chegou a hora de acordar essa «Bela Adormecida» da democracia europeia, i.e. fazer com que os cidadãos europeus, em conjunto, possam aceder realmente ao Parlamento Europeu, permitindo a esta instituição representativa de desempenhar o seu papel de representação dos povos, e deixar de fazer de «lar de aposentação» para políticos nacionais em final de carreira.

A União Europeia tornou-se, de facto, demasiado importante na vida quotidiana de cada um de nós para ser entregue, apenas e tão só, a partidos nacionais e burocratas incontroláveis. Através das 16 propostas, oriundas de debates havidos com 10 mil Europeus em 100 cidades de 25 países, o Newropeans propõe uma visão inteiramente nova para a UE, uma União Europeia democratizada, que emana dos cidadãos e rompe totalmente com o «Euroconformismo» das nossas instituições europeias e nacionais. As 16 propostas irão sendo progressivamente completadas daqui até 2009 para constituir uma plataforma política, elaborada pelos membros do Newropeans tendo em mente um objectivo: apresentar aos eleitores uma visão alargada quanto ao futuro da UE, propondo soluções europeias perante os desafios a enfrentar de Helsínquia a Lisboa, de Atenas a Dublin .

Paralelamente e à margem das eleições europeias, o Newropeans vai lutar para incentivar a democratização, não eleitoral, do conjunto das políticas comunitárias para transformar os «beneficiários» dessas políticas e programas em «parceiros» da construção europeia.



Newropeans, um movimento político com «vigência limitada», também destinado a travar a ascensão dos extremismos

O Newropeans está ciente que essa evolução não irá acontecer sozinha.
O movimento concebe-se, desde logo, como «catalisador», permitindo a transição da UE do pós guerra, constituída por administrações e partidos nacionais, para uma UE democrática, no âmbito da qual os cidadãos e os povos sejam os motores das grandes decisões europeias, servidos por uma classe política verdadeiramente europeia, competente e eficiente, que se radique nos valores da democracia, justiça e abertura ao mundo. A partir do momento em que tenha cumprido esse objectivo histórico, o Newropeans perderá a sua razão de ser, subjacente à sua actual concepção.

O Newropeans tem consciência que forças políticas antidemocráticas, extremistas, xenófobas emergem novamente a nível europeu, tentando fechar a Europa sobre si própria e rejeitar a sua diversidade interna. Nutrem-se do actual «vazio político» no cerne do projecto europeu e das angústias que gera nas nossas populações. O Newropeans considera que as eleições europeias de 2009 irão constituir o primeiro grande confronto entre a esperança de ter uma UE democrática e aberta ao mundo e a abordagem «nacional-europeísta», espécie de ressurgimento do pesadelo europeu dos anos 1920-30.


Ora, não são os nossos partidos políticos nacionais respectivos, destituídos de credibilidade relativamente a questões europeias, que conseguirão opor-se-lhe com êxito.


O Newropeans tem plenamente consciência de que é uma força política cuja vigência é limitada, entre 10 e 20 anos, no máximo, ou seja que dispõe de um prazo para conseguir essa transição para uma UE democrática: seu objectivo único e exclusivo. Por esse motivo, o Newropeans não se candidatará a nenhuma eleição nacional, regional ou local. Em contrapartida, qualquer cidadão europeu, independentemente ou não de pertencer a qualquer força política nacional, regional ou local é bem vindo no âmbito deste nosso movimento, o primeiro à escala do nosso continente. À partida, apenas ficam liminarmente excluídos membros de partidos antidemocráticos ou xenófobos, bem como funcionários comunitários (enquanto gozarem da imunidade judiciária vitalícia que Newropeans pretende ver abolida em virtude do respeito pelo princípio democrático de igualdade entre qualquer cidadão perante a lei).
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Newropeans, um instrumento para ajudar a UE a ampliar as fronteiras da democracia em termos de tamanho e diversidade, um contributo essencial para o mundo neste século XXI

Democratizar a EU é algo que diz respeito a todo e qualquer cidadão.
O Newropeans espera, humildemente, ser um instrumento ao serviço dos cidadãos para permitir essa evolução necessária e em prol do futuro, nosso e dos nossos filhos.

O Newropeans deseja também que o projecto europeu seja portador de esperança para os outros continentes que tentam integrar-se regionalmente, como seja a África, a América Latina, parte da Ásia, etc. Um dos principais problemas com que o planeta se depara no século XXI prende-se com a resposta à seguinte pergunta: «Como combinar a imensa diversidade em termos de dimensão, cultura, potência dos países do globo, evitando que predomine a lei do mais forte?».


Se nós, Europeus, formos capazes de provar pelo exemplo que é possível ampliar as fronteiras da democracia numa perspectiva de dimensão populacional e de diversidade cultural, mostrando como se pode governar democraticamente uma entidade política que congrega 500 milhões de pessoas de cerca de 30 nacionalidades, respeitando simultaneamente a democracia nacional e regional, então poderemos dizer que também contribuímos para melhorar o nosso planeta da forma mais eficaz possível: pelos actos e não apenas pelas palavras!

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Trad. Fr > Pt: Patricia Roman - nov05


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